domingo, 12 de abril de 2009

Menina dos olhos de Deus


Uma vez após um culto em uma conceituada igreja evangélica da minha cidade, com direito a uma apresentação de uma cantora famosa evangélica, ao sair deparei-me com um enorme carro importado dourado todo equipado, que brilhava na rua, destacando-se de todos os demais. Foi como um cenário em preto e branco e a única cor da foto era a daquela máquina de quatro rodas. Até ai nada demais, não sou evangélico e não tenho nada contra evangélicos, muito pelo contrário acho que fazem um belíssimo trabalho conscientizando a população sobre os ensinamentos constantes na própria bíblia. Mas o que me chamou a atenção naquele quadro foi que, naquele super carro que destoava de todos os demais daquela rua, havia um adesivo ocupando o vidro traseiro com os seguintes dizeres” menina dos olhos de Deus”, em enorme letras cor de rosa.
A partir daí minha cabeça dura de mineiro se pôs a “matutar”. Menina dos olhos de Deus, de onde vem este conceito?
Obviamente o carro pertencia a cantora evangélica que acabara de fazer o show naquela igreja, mas para se intitular “menina dos olhos de Deus’, ela deveria estar partindo de um pré-concepção de que seria algo mais do que as demais meninas cristãs que não são “dos olhos de Deus” o que ela é. Mas peraí, para se sentir “algo mais” ela deveria conhecer os pensamentos de Deus e os elementos que O fazem julgar alguém como melhor ou pior, e isto não é possível ao homem. Nos simplesmesmente não podemos conhecer os critérios divinos do Criador para que veja uma pessoa como melhor ou pior do que a outra. Os pensamentos e julgamentos de Deus são insodáveis pelo seres-humanos, quanto a isto não há dúvidas!
Com isto, seria necessário vasto conhecimento dos pensamentos de Deus para poder se auto intitular “menina dos olhos de Deus”, mesmo que isto fosse possível o que não é conforme consta na Bíblia, a pretendente a tratamento "VIP" deveria ter vasto conhecimento da vida dos demais cristãos ao redor do planeta para se situar em nível relativamente mais elevado do que os demais. para receber atenção especial do Todo Poderoso.
Será que cantora evangelizadora teve aprendizado em história suficiente para conhecer a vida de grandes mártires cristãos ou as guerras travadas pela igreja católica e outras igrejas, e, ainda, as perseguições contra os cristãos de todas as ordens durante séculos e mais séculos?
Será que se conhecesse a história anônima da missionária Doroth Stang que viveu na Amazônia lutando em prol de famílias que viviam em condições de miséria absoluta e foi friamente assassinada com seis tiros a queima-roupa? Ou a história de Chico Mendes seringueiro que foi assassinado na frente da mulher e dos filhos por defender a causa dos trabalhadores contra os coronéis que dominavam a região?
Será que para a cantora que passa por uma missão cansativa entre palcos, holofotes, fãs e autógrafos é mais importante “receber Jesus no ritual das igrejas evangélicas” do que realmente se envolver na luta “de abrir a alma ao aflito e fartares a alma aflita", conforme consta em Isaias 58. versiculo 10 ?
Fica a pergunta e a homenagem aos verdadeiros guerreiros que nem sequer foram conhecidos antes de serem assassinados, quanto mais se deram o direito de se auto intitular “preferidos” aos olhos do Todo Poderoso.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

“Em 1983 resolvi tornar-me líder comunitário”



“Em 1983 resolvi tornar-me líder comunitário”

(OBAMA, BARACK; A Origem dos Meus Sonhos. São Paulo: Editora Gente, 2008).


”Não sabia nada sobre o que era de fato trabalhar na área social e não conhecia ninguém que ganhasse a vida fazendo isso. Quando colegas da faculdade me perguntavam o que um líder comunitário fazia, não conseguia responder-lhes ao certo.

Mas tentava falar sobre a necessidade de mudanças. Mudança na Casa Branca, onde o presidente Reagan e seus protegidos conduziam seus atos sujos. Mudança no Congresso complacente e corrupto. Mudança no espírito do país, maníaco e egocêntrico. A mudança não virá do topo, eu dizia. A mudança virá das raízes, das bases mobilizadas.” (pg. 151)

Comentário: No ano de 1983, um negro, recém –formado em direito na Faculdade de Harvard – a mais tradicional dos EUA, ousava dissentir de todo um grupo de recém-profissionais que tinham um bem sucedido futuro pela frente, e como um Dom Quixote em busca de aventuras, tinha-se aquela voz solitária e sonhadora que queria mudar o mundo, e que, pouco se importava com as benesses financeiras de poder que o destino poderia lhe conceder. Seu nome: Barack Hussein Obama.

Poucos dias antes de sua formatura na turma de direito em Harvard Obama havia traçado o seu destino. Enquanto seus colegas se inscreviam nos cursos de pós-graduação e buscavam empregos e atividades recompensadoras, ele já tinha noção do que queria, algo muito maior e arriscado do que a obtenção de ganhos financeiros, em, uma época em que a segregação racial estava em seu nível mais alto nos Estados Unidos.
Como todo começo é difícil, e justamente por isto marca a história e define a trajetória de todo o restante da vida, transcrevo alguns trechos deste início conforme a obra em que Barack Obama retrata de próprio punho sua vida. São trechos valorosos, como referencial para a vida de cada um de nós que vive compromissado com a paz social e com os valores cristãos, vejamos trechos desta brilhante obra:

(...)
“E assim nos meses que restavam até minha formatura, escrevi para todas as organizações de direitos civis em que pude pensar, para toda autoridade negra eleita no país que tivesse um plano de trabalho progressista, para as associações de bairro e para grupos de defesa dos direitos dos moradores. Não tive resposta de ninguém e mesmo assim não desanimei, mas resolvi arrumar um trabalho mais convencional durante um ano, quitar meu crédito estudantil e talvez economizar um pouco (...)” (pg. 153).
(....)

“Às vezes, depois de uma entrevista com investidores japoneses ou comerciantes alemães de títulos de crédito, eu flagrava o meu reflexo nas portas do elevador – via-me de terno e gravata, uma pasta na mão – e, por um segundo, imaginava-me como um líder da indústria, vociferando ordens, fechando negócios, antes de lembrar quem eu disse a mim mesmo que queria ser e me sentisse culpado pela minha falta de determinação.” (pg.154).



(...)
“Então, um dia, quando me sentei ao computador para escrever um artigo sobre taxas de juros de câmbio, algo inesperado aconteceu. Auma ligou-me.”(pg.155).

(...)

“Eu não sei. O certo é que. Alguns meses depois da ligação de Auma, renunciei ao meu cargo da empresa de consultoria e comecei a procurar com determinação um trabalho na área social.” (pg.156).

(...)

“Naquele mesmo instante ele me ofereceu um emprego que envolvia organizar conferências sobre drogas, desemprego, habitação. Facilitar o diálogo, ele chamou assim. Recusei sua oferta generosa, pensando que eu precisava de um trabalho mais próximo das ruas.”

Trabalhei três meses para um grupo de Ralph Nader [1] no Harlem, tentando convencer os estudantes minoritários da Faculdade da Cidade de Nova York sobre a importância da reciclagem. Depois, passei uma semana distribuindo panfletos para um candidato a vereador no Brooklyn – que perdeu e nunca me pagou pelo trabalho.” (pg.157).

(...)

“Em seis meses, eu estava sem dinheiro e desempregado, comendo sopa enlatada. ” (pg.158)


Comentário: Esta poderia ser a história de algum sonhador que nunca teve oportunidade, e que acabou em algum sinal pedindo esmolas, por ter jogado fora as chances que a vida lhe deu.

Tudo leva a crer que seria mais uma vítima da ganância do ser humano, não fosse o fato de que este homem que renunciou a um emprego extremamente lucrativo, e, que se dispôs a trabalhar como liderança comunitária e que chegou por várias vezes a passar fome e necessitar da ajuda de amigos, é hoje o presidente dos Estados Unidos da América.

Muito mais do que um negro que traz em si toda um herança de preconceitos e de demandas sociais, Barack Obama foi, antes de tudo, um trabalhador incansável. Em toda sua trajetória descrita em sua biografia este homem jamais deixou de colocar em primeiro lugar sua noção de justiça e de paz social.

Arrisco dizer que o trabalho é algo que tem suas raízes na essência da vida, e deve ser feito com convicção de estar sintonizado com seus anseios mais nobres. O presidente eleito quando interrogado sobre o uso de drogas respondeu sem rodeios, que já fumou maconha e usou cocaína na juventude, ou seja, mesmo sendo candidato a presidência não se rendeu às hipocrisias e a detalhes sem importância, demonstrando que seu valor está presente sim no seu trabalho e na sua trajetória como líder comunitário, e não em conjecturas discriminatórias, deixando claro ainda que não necessita ser diferente das demais pessoas nem mesmo melhor ou pior, o que logo no início de sua carreira recusou com veemência

Para ele, Barack Obama o que basta é estar trabalhando naquilo que acredita.

Isto ficou claro, com o fato dele ( Barack Obama) ter abandonado seu emprego como um bem-sucedido consultor em direito e ter se dedicado a atividade de líder comunitário, embora, à época, o próprio termo líder comunitário tivesse uma conotação subjetiva e abstrata.

Buscando sua função de líder comunitário, Barack Obama se despediu de sua cômoda vida de negro bem sucedido e se entregou a algo arriscado e sem perspectiva de resultados, e que nem ele mesmo tinha a noção exata do que era !

Por esta e outras que cada vez mais vejo a determinação e a busca pelos ideais de justiça e de paz, como busca primária em nossas vidas, e como essência para a verdadeira felicidade.

Uma singela homenagem a Barack Obama – guerreiro incansável que nos deixa um exemplo a ser seguido e uma história para nos acolher nos momentos de dúvidas e incertezas.


Um abraço

Mensageiro da Paz.



[1] O advogado americano Ralph Nader tornou-se símbolo de defesa da ética nas corporações e dos interesses do consumidor. Formou grupos sem fins lucrativos, como o Public Citizen ( Cidadão Público), cujo objetivo era proteger os consumidores da negligência e da ganância da indústria (N.T)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

INTEGRA DO DISCURSO DE BARACK OBAMA

"Olá, Chicago! Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.
Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e Estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os EUA da América. É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA. Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos EUA da América.
A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho. À melhor equipe de campanha formada na história da política.
Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir. Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.
Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a vitória de vocês. Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos. Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.
E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.
Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação. E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar. Podemos.
EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer.
Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?
Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os EUA da América".

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Uma frase que diz tudo.

"A ESPERANÇA VENCEU O MEDO"
(Barack Obama)

domingo, 2 de novembro de 2008

BARACK OBAMA E HAMILTON NA F1

O resultado da fórmula 1 foi algo fantástico, Hamilton, que precisava apenas de uma mera colocação marginal para se sair campeão, permitiu que Massa fosse campeão, e conquistou o mundial.
Barack Obahma segue na mesma trilha, e com a mesma cordialidade e a mesma moralidade, e respeito.
Parabéns ao Hamilton, que venceu deixando ao adversário o prazer da vitória e compartinhando com dignidade.
Barack Obama, por sua vez, diz que de nada adianta ele mesmo ter o sabor da vitória se outras centenas não tiveram a mesma oportunidade que ele teve em sua vida, e que por isto prefere lutar pelo próximo.
VIVA A PAZ.
Nada mais lindo e exarado por Deus do que os resultados da fórmula 1, todos saíram ganhando, é um segundo momento do que falei no texto anterior no sentido dos governantes e da população estarem todos ingressando em uma nova era de buscas pelas igualdades, de uma paz estar a caminho.

sábado, 1 de novembro de 2008

ELEIÇÕES NO MUNDO E EM NÓS MESMOS

Estou diante de um série de jornais e me chama a atenção certas peculiaridades entre as fotografias de hoje, explico melhor:

1ª foto: Barack Obama sobe em direção ao palco para discursar para milhares de pessoas,

2ª foto: População do Rio se mobiliza em protesto contra a atuação da justiça eleitoral no Rio.

Em face da vitória do candidato adversário ter ocorrido com desrespeito ao meio ambiente, e com uma serie de excessos, a população do Rio organizou uma manifestação com duas mil pessoas, vestidas de cores pretas, protestavam contra a forma de atuação do adversário que responde por 18 processos no TRE do Estado, e nenhum deles decidido, tal fato diante de pequena diferença nos números torna-se realmente inquietante para os partidários de Fernando Gabeira.

Diante deste fenômeno simultâneo e análogo em dois locais tão separados no mundo, ou seja, o primeiro negro a liderar o mundo sobe em direção ao topo do mundo e a multidão sobe para a participação popular nas ruas, tem-se que não são exatamentes os mesmos casos e fundamentos, mas tem-se que há uma força revolucionária agindo em um mesmo sentido exigindo providências e mudanças imediatas. O mundo não pode mais esperar para ter a paz.

O PV Partido Verde, representa a oxigenação do Rio, um alívio para toda a questão da violência e das ações das milícias, assim como Barack Obama representa um alivio para o povo americano, diante de tantas guerras e conflitos...Chegou-se a um consenso de que o melhor é mesmo viver com simplicidade, os eleitores de Barack Obama são em grande parte a população branca.

Torçamos para Barack Obama chegar até lá, muitas vezes o caminho que parece ser curto é o mais longo de toda a história, e um série de intervenções excessivas e desrespeitosas serão certamente disparadas contra ele. Esperamos todos nós que não sejam necessárias manifestações cidadãs de indignação como o foi no caso do Rio, ou que não seja como a eleição de George Bush decididada por um juiz da Corte Suprema; mas sim que possa se manifestar, com todo o seu brilho, um ícone simbolizando toda uma nova geração que vem surgindo e vem se mostrando interessada em ser cidadã ao invés de meramente consumidora, e em ser digna e justa ao invés de rica e bem sucedida.

Antes de terminar fica a terceira foto, que acabei de ver agora, em que os presidentes do paises emergentes da america latina aparecem todos juntos: inclusive com a presença de Fidel Castro ao lado de Lula.

Uma coisa é certa: uma realidade bela está nascendo no horizonte, não sabe-se quando virá mas é o que todos querem. Uma espera inquietante e cercada de dúvidas.